O grupo americano Fifth Harmony acaba de lançar seu primeiro álbum após a saída de Camila Cabello em dezembro de 2016. Mais maduro que os dois discos anteriores, o CD homônimo passou batido por conta de “Look What You Made Me Do”, de Taylor Swift. O que é uma pena já que, após a turbulência, Dinah Jane Hansen, Ally Brooke Hernandez, Lauren Jauregui e Normani Kordei passaram por um momento de redescobrimento do seu trabalho e saíram de um pop juvenil para um R&B contemporâneo, urbano e maduro levando um trabalho consistente para o público.

Mais unidas e dispostas a continuar com o sucesso da banda, as meninas estiveram mais presentes no processo de criação do novo álbum, o deixando com a cara delas. Além de terem escolhido o tipo de som que mais gostam e fazer uma mistura que agradasse a todas, elas também ajudaram a escrever várias letras. Colaboraram na construção de “Fifth Harmony”, o produtor Harmony Samuels, que já trabalhou com Ariana Grande; Sabastian Kole, que é o mesmo produtor da cantora Alessia Cara; e Poo Bear e Skrillex, que já trabalharam ao lado de Justin Bieber.

O primeiro single é “Down”, com todos os ingredientes que você verá no álbum de 10 faixas: Muito R&B, Urban Music, sensualidade e amadurecimento. Infelizmente, a tentativa de repetir a receita de sucesso utilizada no hit “Work From Home”, em que as meninas exploram um som mais pop em parceria com um rapper, não deu certo, e a faixa com colaboração do rapper Gucci Mane alcançou a 42ª posição na Billboard Hot 100, principal parada de hits americana.

Com o single promocional “Angel”, que tem produção de Skrillex e Poo Bear, elas abusam de uma pegada hip-hop, um som pesado, por trás de versos como “Quem disse que eu era um anjo?”, em que zombam de um ex-amante que era muito inconsistente.

Já a segunda música de trabalho, “He Like That”, é extremamente sexy. Divulgada na última semana junto com o clipe, a faixa teve produção de Ammo (“Work from Home”) e DallasK, e forte influência urbana da co-compositora Ester Dean. Sem dúvidas, a canção é uma das melhores do disco e foi lançada em boa hora. Uma curiosidade é que a música contém parte da composição de “Pumps and a Bump”, sucesso na voz de MC Hammer.

Política

Pela primeira vez as meninas trazem uma mensagem política em um disco e ela está em “Bridges”. Elas deixam claro que é uma composição sobre unir as pessoas no mundo turbulento em que vivemos ao cantarem “Nós construímos pontes. Não, não nos separaremos. Sabemos que o amor pode conquistar o ódio, então nós construímos pontes. Pontes, não paredes”. Uma afronta ao desejo de Donald Trump! (Amamos hahaha)

Mas a letra funcionaria como uma metáfora em relação à saída de Camila do grupo. Talvez quiseram mostrar que superaram a saída da integrante e que as “brigas”, pelo menos, as criadas pela mídia, ficaram para trás. Ou ainda que nunca houve a chance do grupo acabar e que essa saída só serviu para uni-las ainda mais.

O romantismo está presente nas faixas “Make You Mad” e “Don’t Say You Love Me”. Enquanto a primeira é cheia de empoderamento, a segunda é sobre um relacionamento que falta algo. Em “Messy”, elas também se mostram vulneráveis e de acordo com as próprias meninas a canção soa como uma espécie de “Stickwitu”, das Pussycat Dolls.

A faixa mais R&B do disco é “Deliver” e foi escrita por Taylor Parks, que também escreveu o hino feminista do grupo “Bo$$”. A animação é garantida em “Sauced Up”, um ótimo convite para curtir uma festa. Já “Lonely Night” foi composta por Normani e Dinah e é sobre mulheres que não se deixam ser enganadas.

Capa do disco “Fifth Harmony”